Estudo de Caso da GAC: Como Personas Sintéticas Orientaram a Seleção de Criadores e Territórios de Conteúdo
A Galaxies construiu cinco personas sintéticas a partir de pesquisa com consumidores reais da GAC Brasil. Elas ajudaram a montadora a avaliar creators, afunilar territórios de conteúdo e testar narrativas antes de a campanha ir a mercado.
Em resumo |
Este é o relato de um projeto feito com a GAC Brasil, montadora que chegou ao país em 2025, em parceria com as agências GreenZ e Suba. A parceria foi noticiada pela Propmark. Os resultados abaixo foram divulgados pela própria GAC e se referem à estratégia de influência como um todo. Aqui, explicamos o papel das personas sintéticas e os limites dessa leitura.
Qual era o desafio da GAC com influenciadores?
As campanhas de 2025 da GAC geraram alcance, mas a conexão com o público e a qualidade das interações ficaram abaixo do que a marca queria. A taxa média de engajamento daquele ano foi de 1,26%.
Luis Fernando Guidorzi, diretor de Comunicação e Marketing da GAC Brasil, resumiu o ponto de partida no vídeo case gravado com a Galaxies:
"Em 2025, ainda estávamos construindo nossa operação de influência no Brasil. O desafio para 2026 era entender como transformar influência em uma frente mais estratégica para a marca, e não apenas em uma ferramenta de alcance."
Para 2026, a GAC definiu cinco territórios de marca, entre eles tecnologia, lifestyle e economia, e estruturou uma operação dedicada de Creator Economy, com uma embaixadora de alcance nacional e squads trimestrais de criadores e UGCs. Faltava um método para descobrir quais creators conversavam de fato com cada segmento do público, algo que se repetisse a cada trimestre e fosse personalizável para a marca.
Como as personas sintéticas foram construídas?
As personas sintéticas da GAC foram construídas a partir de pesquisa com consumidores reais da marca. O processo agrupa respondentes com respostas parecidas, e cada grupo dá origem a uma persona. No projeto da GAC, foram cinco. As respostas das personas são simuladas e ancoradas nessa pesquisa: servem para comparar alternativas e revisar decisões antes de investir, não para prever o resultado de uma campanha.
No Nexus, essa base fica disponível para o time explorar perguntas e comparar opções antes de comprometer o orçamento.
Como a GAC usou as personas para escolher creators?
As cinco personas avaliaram os influenciadores considerados pela GAC, os de 2025 e os da estratégia de 2026, em três critérios, de 0 a 10: aderência ao produto, credibilidade e capacidade de converter. O objetivo não era só ver quem tinha os melhores indicadores de performance, mas entender quais criadores tinham maior capacidade de se conectar com cada segmento de consumidor, dentro do contexto de comunicação da marca.
Foi uma validação retroativa. A GAC submeteu os influenciadores às personas para verificar se a leitura delas coincidia com as decisões que a própria marca já havia tomado.
Daniel Victorino, cofundador e CEO da Galaxies, explicou o exercício à Propmark:
“A Galaxies precisava entregar à GAC um método replicável, e não uma leitura pontual. Construímos cinco personas sintéticas a partir de pesquisa real com o público da marca e propusemos um exercício de validação retroativa: submetemos os elencos de 2025 e 2026 sem acesso às métricas de campanha, e o padrão apareceu em minutos.”
Segundo Daniel, a nota de aderência dos influenciadores escolhidos subiu de 7,5 para 8,0 entre os dois períodos. São avaliações simuladas, não taxas de conversão observadas.
Segundo a GAC, o que antes era uma hipótese a validar foi confirmado pelo estudo. Os dados finais do primeiro trimestre de trabalho não foram uma surpresa, foram uma confirmação de que o time estava no caminho certo.
Que decisões as personas orientaram além do casting?
O projeto foi além da escolha dos influenciadores. O estudo apontou lifestyle, tecnologia e economia como os territórios com maior potencial para ampliar o awareness da marca, mas todos são muito amplos. O trabalho ajudou a entender qual pedaço de cada território conecta melhor com a GAC. Viagem, por exemplo, é um território amplo; as escapadas são as viagens pelas lentes da marca.
As personas também indicaram quais narrativas, formatos de conteúdo e territórios de comunicação tendem a gerar mais relevância para cada segmento. Guidorzi descreve o efeito para o marketing:
"O mais interessante é que o projeto não se limitou à escolha dos influenciadores. As personas também apontaram quais narrativas, formatos de conteúdo e territórios de comunicação tendem a gerar mais relevância para cada segmento de consumidor. Isso faz com que o marketing deixe de olhar apenas para métricas de performance e passe a utilizar inteligência de dados para desenhar toda a operação de comunicação."
Hoje, a GAC usa as personas para comparar formatos, mensagens e territórios antes de cada ciclo de campanha. Antes de contratar influenciadores, a GAC avalia perfil de audiência, aderência ao produto, território de conteúdo, credibilidade e potencial de conversão. Depois de cada ação, analisa os resultados para orientar as próximas decisões.
Quais foram os resultados da GAC?
Os números abaixo foram divulgados pela GAC Brasil e se referem à estratégia de influência como um todo.
Indicador | 2025 | 2026 | Observação |
|---|---|---|---|
Taxa média de engajamento | 1,26% | 5% | Crescimento de quase 4 vezes |
Views únicos orgânicos, maio a julho | 4,6 milhões | Mais de 30 milhões | Mais de 6 vezes; squads de 4 pessoas com mesmo número e perfil, sem alcance impulsionado |
Views orgânicos em julho | n/d | 11,46 milhões | Mais 35,1 mil interações orgânicas |
A nota de aderência simulada subiu de 7,5 para 8,0, em validação retroativa. Ela mostra coerência entre a leitura das personas e as escolhas da GAC, e não mede o desempenho das campanhas.
O que esses resultados não dizem?
Três cuidados ajudam a ler o case com honestidade. Primeiro, o crescimento de engajamento e de views é resultado da estratégia inteira da GAC: embaixadora, squads trimestrais, estrutura de gestão, agências parceiras e análise de dados. As personas contribuíram com validação e orientação de decisões, e não explicam sozinhas esses números.
Segundo, as notas de 7,5 e 8,0 são simuladas, vieram de um exercício retroativo e mostram coerência entre a leitura das personas e as decisões da GAC. Não medem o desempenho real de cada campanha. Terceiro, é preciso distinguir esse exercício do uso em campanhas futuras: as personas podem apoiar testes de hipóteses antes de novas ações, mas a validação retroativa não demonstra que elas escolheram previamente os elencos avaliados.
O que líderes de marketing podem aplicar a partir do case?
O método reaproveitável não depende do setor automotivo. Ele começa com pesquisa real com o público da marca, passa por avaliar as opções de casting, território e narrativa contra personas construídas a partir dessa pesquisa e termina com a análise dos resultados de cada ação, que alimenta a decisão seguinte.
Para quem planeja o próximo trimestre de influência, a pergunta é simples: as escolhas de creators que estão no briefing foram testadas contra algum sinal do público real, ou a campanha será a primeira vez que a hipótese encontra o consumidor?
O aprendizado é transformar escolhas de casting, territórios e narrativas em hipóteses que possam ser comparadas com sinais do público da marca. A equipe continua responsável pela decisão e pela leitura dos resultados reais.
Encerrando: decidir antes, medir depois
O caso da GAC mostra um uso das personas sintéticas que vai além de gerar respostas: dar a uma equipe de marketing uma base para decidir antes da campanha e, depois dela, aprender com o que aconteceu. A pesquisa com consumidores reais segue como ponto de partida, e a medição dos resultados reais segue como árbitro final. É assim que encurtamos o que chamamos de Signal-to-Decision Gap, o intervalo entre o sinal do consumidor e a decisão da marca.
Para entender como essa abordagem pode apoiar o seu planejamento, conheça o Nexus. Veja também os casos de uso da Galaxies ou peça uma demonstração com uma pergunta real do seu time.
Perguntas frequentes
O que a Galaxies fez no projeto com a GAC?
Construiu cinco personas sintéticas a partir de pesquisas com consumidores reais da GAC. Elas avaliaram influenciadores em aderência ao produto, credibilidade e potencial de conversão e orientaram territórios de conteúdo, narrativas e formatos.
As personas sintéticas explicam o aumento de engajamento da GAC?
Não sozinhas. Segundo a GAC, o engajamento médio passou de 1,26% em 2025 para 5% em 2026 com a estratégia como um todo, que inclui embaixadora, squads trimestrais, gestão especializada e análise de dados. As personas contribuíram com validação e orientação das decisões.
Como as personas avaliaram os influenciadores?
Com notas de 0 a 10 em três critérios: aderência ao produto, credibilidade e capacidade de converter. A avaliação foi retroativa para os influenciadores de 2025 e de 2026 e comparou a leitura das personas com as decisões já tomadas pela GAC.
De onde vêm os dados das personas da GAC?
De pesquisas realizadas com consumidores reais da GAC. As personas foram calibradas com dados do público da marca, e não com um painel genérico.
A simulação com personas substitui a pesquisa com consumidores?
Não. A pesquisa real é a base que alimenta as personas, e a medição dos resultados reais das campanhas continua necessária. As personas apoiam a decisão antes da execução.
Fontes citadas
Propmark. GreenZ, Suba e Galaxies unem IA e influência em estratégia para GAC. Publicado em 26 de outubro de 2026.
GAC Brasil e Galaxies. Vídeo case com Luis Fernando Guidorzi, diretor de Comunicação e Marketing da GAC Brasil. [link público do vídeo]
Galaxies. Imprensa: cobertura e comunicados da empresa.


